Homens e mulheres continuam procurando a felicidade no amor. O amor pode estar esperando na mesa do bar, nas reuniões de família, nas danceterias ou até na Internet...mas os desencontros e decepções são frequentes. Porque será que é tão difícil encontrar um parceiro afetivo ? Dr. Cláudio Picázio, 44 anos, é psicólogo e terapêuta de casais. Ele acredita que os desencontros resultam do excesso de fantasia sobre o amor. "As pessoas acreditam que irão encontrar alguém especial e sem defeitos. Procuram alguém que transforme suas vidas magicamente, trazendo a solução de todos os problemas. Mas uma relação amorosa precisa ser construída aos poucos e o casal pode enfrentar surpresas, conflitos e dificuldades. Muitas pessoas vivem buscando um relacionamento impossível de ser vivido no dia a dia. É preciso entender que príncipes e princesas não fazem parte do cotidiano. Um casamento feliz depende da cumplicidade que o tempo ajuda a construir".
Cláudio reconhece que vivemos uma fase de ansiedade. "Muitas pessoas detestam ficar sozinhas. Não gostam da própria companhia e não têm auto-estima. Ainda não conseguiram construir a própria identidade e por isto precisam de alguém ao lado para se espelharem. São pouco seletivas na escolha de um parceiro e por isto acabam sofrendo. Escolher um parceiro adequado pode levar tempo. Mas quando existe carência demais não há tempo para selecionar aquele com quem se poderia construir uma relação duradoura e sincera".
E vai mais longe: "As pessoas confundem amor com necessidade. Amar pressupõe dar e receber. É preciso amar a si mesmo e ao outro e não pode existir dependência. O outro não pode estar disponível o tempo todo para atender nossas necessidades e faltas. Ele irá nos ensinar muitas coisas, trazer novas experiências, idéias e sensações. Nós também oferecemos a ele um novo universo. Mas a troca é saudável e enriquecedora. Relações simbióticas onde os parceiros perdem suas identidades, são fadada aos fracasso. Muitas pessoas procuram a "alma-gêmea". O que elas desejam é encontrar alguém que seja exatamente como elas são pois as afinidades representam segurança no relacionamento. O casal se sente seguro quando descobre que gostam do mesmo prato japonês, das mesmas canções e leram os mesmos livros quando tinham 15 anos. Também existem aqueles que querem encontrar exatamente o oposto. Procuram alguém que represente tudo o que eles gostariam de ser mas não conseguem. Um exemplo: o executivo racional e prático que vive em função de trabalho e construção financeira. É discreto, conservador e reprimido. É comum que se apaixone cegamente por uma mulher desorganizada, sem profissão, descontrolada, superticiosa e emotiva demais. Ele não entra em contato com a sua sensibilidade e acredita essa mulher irá supri-lo de tudo o que ele necessita. Costumam ser paixões onde os dois parceiros ficam tomados por um sentimento forte mas destrutivo. Sem amizade, respeito e cumplicidade, não pode existir amor".
Dicas para viver uma relação verdadeira:
- O outro não é a minha metade; eu sou uma pessoa inteira, com personalidade própria e o outro também tem suas características e estilo
- Reconhecer que o outro deve ser respeitado no seu modo de ser
- Não se pode perder a identidade para conquistar o outro
- Perceber o outro, estar atento aos seus movimentos e nuances
- Cooperar, dividir, oferecer energia e saber receber
- Participar e incentivar o outro a ser quem ele é
- Cuidar do relacionamento lembrando das datas importantes, celebrando com presentinhos ou carinhos
- Quebrar as rotinas ou transformá-las em momentos prazeirosos
- Evitar influências de família ou amizades sobre o relacionamento |